Régions d’Afrique. Image ONU – Wikipedia


Par Guy Mettan, journaliste indépendant

Genève, 15 décembre 2022 – Guy Mettan

Au moment où Joe Biden tient son grand sommet africain à Washington, je vous recommande l’un des derniers podcasts du journaliste camerounais Alain Foka( *). Il y rappelle quelques vérités élémentaires sur l’Afrique, à savoir que, dès qu’il s’agit d’évoquer ce continent, tout est distordu, à commencer par les chiffres et les faits qui paraissent les mieux établis.

Les mappemondes mentent par exemple avec un aplomb que personne ne songe à contester. Ainsi la projection de Mercator habituellement utilisée pour représenter le monde sur la carte tord-elle les surfaces au détriment de ce continent. Sur les cartes, la Russie apparait deux fois plus grande que l’Afrique alors qu’elle est en réalité près de deux fois plus petite. De même, le Groenland semble deux fois plus grand que l’Afrique alors que celle-ci peut la contenir dix fois ! De même la France semble aussi grande que le Mali alors qu’elle est deux fois plus petite que lui…

L’impossibilité de répliquer une sphère sur une surface plane fausse les perceptions. Il existe une projection, dite de Robinson, qui respecte les superficies. Elle a toutefois le défaut de réduire les distances entre continents. Comme par hasard, elle n’est jamais utilisée par les cartographes parce qu’elle écorne le sentiment de supériorité atavique du nord sur le sud. Le nord y apparait moins dominateur et le sud beaucoup plus présent. La carte est donc un outil politique, un instrument de pouvoir qui sert à rabaisser le continent noir.

Il en va de même pour la démographie, rappelle Foka. Ce continent est présenté comme surpeuplé, en proie à une natalité démentielle. Macron l’a d’ailleurs rappelé lors de sa dernière tournée africaine. Tout cela relève du cliché qui tient les Africains pour des bonobos qui passeraient leur temps à forniquer alors qu’en réalité le continent est sous-peuplé. Exemples : l’Inde, qui n’est que 1.5 fois plus grande que la RDC, compte 1,3 milliard d’habitants alors que la RDC est jugée surpeuplée avec cent millions d’habitants seulement ! Idem pour le Cameroun, qui passe pour surpeuplé avec 25 millions d’habitants alors que le Bangladesh totalise 160 millions d’âmes pour un territoire 2,5 fois plus petit. Quant à la France, elle affiche 67 millions d’habitants sur un demi-million de km2 alors que le Mali en compte trois fois moins pour un territoire deux fois plus grand. Le Niger, champion toutes catégories de la natalité, n’atteint que 25 millions d’habitants bien que 3,5 fois plus grande que l’Allemagne qui, elle, totalise trois fois plus d’habitants mais dont personne ne songe à dire qu’elle est surpeuplée.

Ces clichés ont la vie si dure que même les Africains y croient dur comme fer et qu’ils considèrent leur jeunesse et leur vitalité démographique comme des tares plutôt que comme des chances. Quitte à nourrir les hantises des paranoïaques de la surpopulation qui considèrent l’Afrique comme une menace pour la survie de l’espèce humaine et craignent d’être submergés par les Africains.

Il existe pourtant un domaine pour lequel les pays riches ne méprisent pas l’Afrique, celui des ressources naturelles et des terres arables, largement sous-exploitées jusqu’ici. Ce continent recèle un potentiel économique dont on commence seulement à deviner l’ampleur. Le bauxite, l’uranium, le coltan, le cobalt, le diamant, l’or, voire le pétrole et le gaz, sont allègrement pillés, avec, au besoin, l’aide de milices armées par nos soins comme dans l’est du Congo et en Centrafrique. L’agriculture vivrière traditionnelle basée sur le mil y a été massacrée par les importations subventionnées de blé européen et nord-américain. Le cacao et le coton ont vu leurs prix écrasés par le cartel des importateurs qui ont tout fait pour empêcher l’émergence d’industries de transformation locales.

Américains, Chinois, Russes, Français, tous s’affrontent pour maintenir ou accroître leur emprise sur le continent. Mais il arrivera un temps, forcément, où les Africains voudront rapatrier la valeur ajoutée sur leur continent. Plutôt que de s’y opposer, l’Europe devrait accompagner ce mouvement. A défaut, elle redeviendra sur le plan économique la micro-péninsule qu’elle a toujours été sur le plan géographique.

Guy Mettan


(*) Podcasts du journaliste camerounais Alain Foka

 

 

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Mis à jour le 16 décembre 2022 – 15h15

Traduit du français en portugais par le brésilien Roberto Moreno

Quando a África acordar

No momento em que Joe Biden realiza sua grande cúpula africana em Washington, recomendo um dos últimos podcasts do jornalista camaronês Alain Foka (*). Ele lembra algumas verdades elementares sobre a África, a saber, quando se trata de evocar este continente, tudo é distorcido, começando com os números e fatos que parecem mais bem estabelecidos.

Os mapas do mundo mentem, por exemplo, com uma desenvoltura que ninguém pensa em contestar. Assim, a projeção de Mercator geralmente usada para representar o mundo no mapa distorce as superfícies em detrimento deste continente. Nos mapas, a Rússia parece duas vezes maior que a África, quando na verdade é quase duas vezes menor. Da mesma forma, a Groenlândia parece duas vezes maior que a África, enquanto esta pode contê-la dez vezes! Da mesma forma, a França parece tão grande quanto o Mali, embora seja duas vezes menor do que ele …

A impossibilidade de replicar uma esfera em uma superfície plana distorce as percepções. Há uma projecção, chamada Robinson, que respeita as áreas. No entanto, tem a falha de reduzir as distâncias entre continentes. Por acaso, nunca é usado por cartógrafos porque envergonhe o sentimento de superioridade atávia do norte sobre o sul. O norte parece menos dominador e o Sul muito mais presente. O mapa é, portanto, uma ferramenta política, um instrumento de poder que serve para rebaixar o continente negro.

O mesmo se aplica à demografia, lembra Foka. Este continente é apresentado como superlotado, atormentado por uma natalidade insana. Macron também o lembrou em sua última turnê africana. Tudo isso é um clichê que considera os africanos bonobos que passariam seu tempo fornicando quando na realidade o continente está subpovoado. Exemplos: a Índia, que é apenas 1.5 vezes maior que a RDC, tem 1,3 bilhão de habitantes, enquanto a RDC é considerada superlotada com apenas cem milhões de habitantes! O mesmo vale para os Camarões, que passam por superlotados com 25 milhões de habitantes, enquanto Bangladesh totaliza 160 milhões de almas para um território 2,5 vezes menor. Quanto à França, tem 67 milhões de habitantes em meio milhão de km2, enquanto o Mali tem três vezes menos para um território duas vezes maior. O Níger, campeão de todas as categorias de natalidade, atinge apenas 25 milhões de habitantes, embora 3,5 vezes maior do que a Alemanha, que tem três vezes mais habitantes, mas que ninguém pensa em dizer que está superlotada.

Esses clichês têm a vida tão difícil que até os africanos acreditam neles e consideram sua juventude e sua vitalidade demográfica como taras e não como oportunidades. Mesmo que isso signifique alimentar as assombrações dos paranóicos da superpopulação que consideram a África uma ameaça à sobrevivência da espécie humana e temem ser dominado pelos africanos.

No entanto, existe uma área em que os países ricos não desprezam a África, a dos recursos naturais e das terras aráveis, em grande parte subexploradas até agora. Este continente tem um potencial econômico cuja magnitude só começamos a adivinhar. Bauxita, urânio, coltan, cobalto, diamante, ouro, até mesmo petróleo e gás, são alegremente saqueados, com, se necessário, a ajuda de milícias armadas por nós, como no leste do Congo e na República Centro-Africana. A agricultura alimentar tradicional baseada em milheiro foi massacrada lá por importações subsidiadas de trigo europeu e norte-americano. O cacau e o algodão tiveram seus preços esmagados pelo cartel de importadores que fizeram de tudo para impedir o surgimento de indústrias de processamento locais.

Americanos, chineses, russos, franceses, todos competem para manter ou aumentar seu controle sobre o continente. Mas chegará um momento, inevitavelmente, em que os africanos vão querer repatriar o valor agregado para seu continente. Em vez de se opor a isso, a Europa deveria acompanhar esse movimento. Caso contrário, voltará a ser economicamente a micro-peninsula que sempre foi geograficamente.

Genebra, 15-12 – 2022 – Guy Mettan

Fonte: https://arretsurinfo.ch/quand-lafrique-seveillera/

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